Indicador de incerteza económica

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O que significa incerteza? De acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa (Priberam), é um substantivo feminino com díspares significados: falta de certeza, dúvida, hesitação, indecisão e imprecisão. Por norma, a definição mais lata resume um “estado ou caráter do que é incerto”; todavia, em linguagem económica é definido enquanto uma conjectura cujo rumo a ser decidido pelo mercado (agentes económicos) não é considerado previsível.

Naturalmente, a subjetividade inerente ao conceito é entendível assim como o impacto no planeamento económico; e, daí a construção de indicadores que visam analisar a sua incidência. Os estudos iniciais sobre incerteza económica foram responsabilidade do economista americano Frank Hyneman Knight; e, em 1921, no livro chamado “Risk, Uncertainty, and Profit” (traduzido como Risco, Incerteza e Lucro), concluiu que traduz uma situação sem qualquer previsão em matéria de possibilidades. E, a diferença entre risco e incerteza é a capacidade de mensuração.

A sua aplicabilidade é extensiva e os estudos empíricos demonstram que choques de incerteza podem gerar impactos negativos nas empresas e nas famílias. As razões primordiais reconhecem a desmotivação face ao investimento, inibição da produção e da propensão ao consumo e redução da eficácia da política monetária. Logo, a questão essencial é: o que esperar em face do contexto atual (continuidade da pandemia)?

Podemos assumir que a valorização dos mercados, em face dos máximos históricos dos índices, são resultado de especulação e/ou o desejo dos agentes económicos (em particular famílias) reiterarem a sua liberdade. O desejo e/ou avidez de consumo é uma realidade, mas a verdade é que os últimos resultados empresariais (associados à reabertura económica) têm sido positivos. Aliás, superiores ao esperado, em face de taxas de juro estruturalmente baixas e liquidez disponível como não há memória; fruto da injeção massiva de dinheiro pelos bancos centrais e, cujos inconvenientes a seu tempo iremos debater.

Assim, é condição sine qua non criar confiança nos agentes económicos para garantir a recuperação e a adaptação das economias. Tal é explícito na apresentação das Perspetivas Económicas Intercalares, referentes às economias do G20, por Laurence Boone (Economista-Chefe da OCDE): “O mundo enfrenta uma crise sanitária grave e a desaceleração económica mais dramática desde a Segunda Guerra Mundial. O fim desta crise ainda não está à vista, mas os decisores políticos ainda têm muita margem de manobra para ajudar a estabelecer a confiança”.